Life is ironically, so it's comedy...

Laugh, but laugh until...

Realizing that reality is made for smiling

For the first time here at C&C, we are going to approach the theme of "cinema" in a more humanistic way. For a long time, I have been listening to the song "Lifeline" by Orla Gartland, a singer who even participated in one of the works mentioned by us, Normal People. What intrigues me most about this song is not the sadness or melancholy, but rather the lack of joy. It is as if two people who didn't know each other met at any moment on just any ordinary day, and suddenly, life changes, gaining tones and colors that were previously nonexistent.

Therein lies comedy, because at the exact moment when the turning point happens, we necessarily negotiate the value of our joy and, consequently, the value of our laughter. In this, we find a superficial perspective of what comedy is from the inside of real life, from inside a genre that does not coexist with reality in everyday moments. And here we ask ourselves: why?





The cinema, comedy, and everyday melancholy

We can understand in the long run that comedy is nothing more than drama, born from great writers like Shakespeare, Greek works, and others that reinforce why comedy is even more melancholic than the very conception of drama in the 21st century. Drama has been tied to melancholy ever since cinema began to shape the genre, making it increasingly niche and, at the same time, the fruit of a market scope. In other words, drama and comedy are one and the same, but currently, they are read as opposites.

To have a clearer view, we can cite Click, a comedy film starring actor Adam Sandler. The film is an intense drama, yet still a functional comedy, serving as a perfect example of why comedy in its essence is nothing more nor less than the human perceptual experience of the ironies of everyday life.

But then, why does our laughter have value, after all?

We are taught from an early age that pain is constant. This is due to a lack of sensory stimulus stemming from functionality as a society—or better yet, society does not form people to be satisfied or joyful, but rather to be functional within an oppressive system, thus generating only fleeting moments of joy. And what happens after that?


The congestion of emotions.


Emotions that could be worked on as balance, as games of necessity, become increasingly opaque from the moment we have only a single weekend to realize that life is worth living. And the worst part? We don't have time to realize this, because we are far too busy trying to be functional and less and less "worthless"...

Try as we might to deny it, reality is not good to us; it never was, and never will be. I defend this hypothesis by going straight to the most intriguing question of life: what are we?


The quest for an anarchist freedom

There is no time in this construction of a social ideal for us to know what is right or wrong in the foundation of society, yet we still eclipse joys because they would be responsible for taking us slightly out of "reality" and teleporting us to something beyond what we can imagine...

Even if it sounds vague, why mention this? Well, we are talking about an inhumane point of view on humanity.

But returning to comedy, laughing is still good medicine, right?

Once I read somewhere about the perception of what true social medicine is, and the answer came from an anarchist standpoint. Not regarding politics, but about adopting a philosophy that defends the reason we are alive, the reason why we get up every day... And indeed, even though phrases like "work dignifies man" are treated as mantras, they are the very things that impregnate the punitive philosophy of freedom.

Freedom as a currency of trade is nothing more than the submission of one being to another—that is, the thought that one human being can, must, and will justify the imprisonment and freedom of another human being who, in theory, is their equal.

It is about seeking an increasingly anarchist freedom from a social standpoint, of understanding that the laughter we save for specific moments can also be used in everyday life, because, in theory, your life will forever be yours. And yours alone.


Conclusion

Ultimately, comedy is nothing more than drama. Drama is nothing more than life. Life is nothing more than reality. And what does that mean? We have here the exact same answer to one of our questions mentioned in the text: we don't know...

Time is rare, just like life. We still have time, and yet it is short. The perception of reality changes from person to person, but everyone shares freedom as a common goal.





PORTUGUÊS:


Ria, mas ria até... 

perceber que a realidade é feita para sorrir


O cinema, a comédia e a melancolia cotidiana

Pela primeira vez aqui na C&C, vamos abordar o tema "cinema" de um jeito mais humanista. Há muito tempo escuto a música Lifeline, de Orla Gartland, cantora que participou até mesmo de uma das obras citadas por nós, Normal People. O que mais me intriga nessa canção não é a tristeza ou a melancolia, mas sim a escassez da alegria. É como se duas pessoas que não se conhecessem se encontrassem em um dia comum e, de repente, a vida mudasse, ganhando tons e cores antes inexistentes.

Nisso mora a comédia. No exato instante em que ocorre essa virada de chave, negociamos o valor de nossa alegria e, consequentemente, o preço de nossa risada. Encontramos aí uma perspectiva superficial do que seja a comédia por dentro da vida real e de um gênero que parece desconectado da rotina nos momentos cotidianos. Diante disso, perguntamo-nos: por quê?

Podemos compreender a longo prazo que a comédia nada mais é do que o próprio drama. Isso nasceu com grandes dramaturgos, com as tragédias e comédias gregas, e com outras referências que reforçam o motivo de o humor ser, muitas vezes, mais melancólico do que a própria concepção de drama no século XXI. O drama está atrelado à melancolia desde que o cinema começou a moldar o gênero, tornando-o cada vez mais nichado e, ao mesmo tempo, fruto de um escopo de mercado. Ou seja, drama e comédia são uma coisa só, embora atualmente sejam lidos como opostos.

Para termos uma visão mais clara, podemos citar Click, filme de comédia estrelado por Adam Sandler. Trata-se de uma obra com uma carga dramática intensa e, ainda assim, uma comédia funcional. É um exemplo perfeito de como a comédia, em sua essência, nada mais é do que a percepção humana sobre as ironias do cotidiano.





A opressão do sistema e o valor do riso

Mas então, afinal das contas, por que o nosso riso tem valor?

Somos ensinados desde pequenos que a dor é constante. Isso ocorre devido à falta de estímulo sensorial gerada pelas exigências da sociedade. Em outras palavras, o sistema não forma pessoas para serem satisfeitas ou alegres, mas sim para serem funcionais dentro de estruturas que as oprimem, permitindo apenas pequenos vislumbres de contentamento. E o que acontece depois disso?

A congestão de emoções.


Sentimentos que poderiam ser canalizados para o equilíbrio e para jogos de necessidade tornam-se cada vez mais opacos a partir do momento em que temos apenas um final de semana para perceber que a vida vale a pena. O pior de tudo é que nem tempo para isso temos, pois passamos os dias ocupados tentando ser produtivos e cada vez menos "imprestáveis"...

Por mais que tentemos negar, a realidade não é branda conosco; nunca foi, jamais será. Defendo essa hipótese indo diretamente à questão mais intrigante da existência: quem nós somos?

A busca pela liberdade anárquica

Não há espaço nessa construção social idealizada para que saibamos o que está certo ou errado na fundamentação coletiva. Ainda assim, ofuscamos as alegrias porque elas seriam as responsáveis por nos afastar momentaneamente da "realidade", transportando-nos para algo além do que possamos imaginar.

Ainda que pareça vago, por que citar tudo isso? Bem, porque estamos falando de um ponto de vista desumano sobre a própria humanidade.

Voltando à comédia: rir ainda é o melhor remédio, certo? Certa vez, li sobre a percepção do verdadeiro remédio social, e a resposta vinha de um ponto de vista anarquista. Não no sentido político partidário, mas no de adotar uma filosofia que defenda a razão de estarmos vivos e o motivo pelo qual nos levantamos todos os dias. De fato, por mais que frases como "o trabalho dignifica o homem" sejam repetidas como mantras, são elas que impregnam a filosofia punitiva da liberdade.

A liberdade convertida em moeda de troca nada mais é do que a submissão de um ser a outro — ou seja, a crença de que um ser humano pode, deve e vai justificar o aprisionamento e a supressão de outro ser humano que, em tese, lhe é igual.

Trata-se de buscar uma liberdade cada vez mais anárquica do ponto de vista social; de entender que a risada que guardamos para momentos específicos também pode (e deve) ser usada no cotidiano. Afinal, a sua vida será para sempre sua. Só sua.

Conclusão

Por fim, a comédia nada mais é do que o drama. O drama nada mais é do que a vida. E a vida nada mais é do que a realidade. O que isso significa? Temos aqui a mesma resposta de uma das perguntas levantadas no texto: não sabemos...

O tempo é escasso, assim como a vida. Ainda o temos, mas ele passa rápido. A percepção da realidade muda de pessoa para pessoa, mas todas compartilham a liberdade como objetivo em comum.



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