Symbolism: The Power of Aesthetics in Narrative

 After all, what is there after the owls? 

A debate on symbolism in cinema

The Game of Symbolisms

The definition of symbolism in cinema is born as a reference, which is indeed explained in its artistic literality, with the definition being an essence that possesses a determining factor (addendum: not necessarily to the narrative).

That being said, the way a symbolism is used varies from factor to factor, script to script and, ultimately, from director to director. In other words, symbolisms are not ruled, but are rather a game. So, what is this "game of symbolisms"?






Time and Aesthetics in Inception

To help us, the first reference we will use is the spinning top from Christopher Nolan's film Inception. The movie itself tells a story in layers—epic layers. Because of this, the tendency is for there to be not just one symbolism, but several, as it is in this detailing that long-term memory resides.

Symbolisms are also used to extend a film's shelf life. In our case, the spinning top has an aesthetic reference from Nolan's direction, which stylizes a scene in vertical/diagonal angles—what we nowadays call an "Instagram aesthetic". To explain it promptly, this is nothing more than a choice for the film to regain, once again, life among the audience—or rather, aesthetically beautiful images that generate massive sharing. However, that is not all our reference aims to do.

In Inception, the movie's idea is to transport us through time and dimensions. To make this clear, what are dimensions? Dimensions are relative realities that require a parallel reference to exist, such as "our dimension" in our example. In other words, everything Nolan's film proposes is a reflection on reality in relation to time.

But why to time? Because the aesthetic of real life is that of a straight line: there is no going back to the past, let alone moving to the future. The spinning top, in this midst, has the role of dictating time as it spins. In other words, the narrative aesthetic of the spinning top is a reference to the dynamics of writing, relativity, and, above all, collecting references.




The Mystery of Twin Peaks

But going back a few lines: what remains after the owls?

Twin Peaks is a perfect example of how to use references, as they are placed as part of the narrative, yet at the same time, they play no part in it. The owls come from a wordplay—notice how everything about symbolism falls back on games—and in this game, it takes away our horror.

The owls are not main characters, but at the moment David Lynch demands this reference, it appears in a relative matter: the relativization of the environment's construction up to the climax of the season finale. What many call a jumpscare, I consider a playful joke. It didn't seem meant to scare me, but rather to be, in fact, raw symbolism.




The Simplicity of Detail in Godard

With these two examples, we fall into a less complex one.

In Jean-Luc Godard's Breathless, Jean-Paul Belmondo's character has a certain tic: his finger over his lips. This is an example of a symbolism that is slightly less crucial to the narrative, serving more as a game for the character to gain a trait within the narrative. In other words, the narrative does not favor something memorable, nor does the budget allow for something extraordinary; so, in the details, Godard and Belmondo built a simple personality: a reckless man with a strange habit.

As shallow as it may seem, this extended the film's aesthetic to this day, alongside Godard's lyricism and Anna Karina's expressions.


The Prediction of Chance

Ultimately, cinema is a conjunction of cheap symbolisms—and I mean this in the best way possible—serving as a banal way to gain recognition through something that, in theory, is comical.

My proposal is: pay close attention to the details, be they expressions, set designs, or lines. It is often said that in cinema nothing is accidental, but in a way, nothing is programmed either, but rather predicted. And this prediction is bound to have errors, successes, and, above all, changes! That is where the best memories and experiences lie when we talk about movies, which indeed remain in our good (or bad) memories.






PORTUGUÊS:


Afinal, o que existe após as corujas?

 Um debate sobre simbolismos no cinema


O Jogo dos Simbolismos

A definição de simbolismo no cinema nasce como uma referência, o que de fato se explica em sua literalidade artística, com a definição sendo uma essência que possui um fator determinante (adendo: não à narrativa, necessariamente).

Sendo assim, a forma como um simbolismo é utilizado varia de fator a fator, roteiro a roteiro e, enfim, de diretor a diretor. Ou seja, os simbolismos não são regrados, mas sim um jogo. Então, o que são os "jogos dos simbolismos"?

O Tempo e a Estética em Inception

Para nos ajudar, a referência que utilizaremos em um primeiro momento é o pião do filme Inception, de Christopher Nolan. O filme em si conta uma história em camadas — camadas épicas. Com isso, a tendência é de que não exista somente um simbolismo, mas vários, pois é nesse detalhamento que mora a lembrança a longo prazo.

Os simbolismos também são utilizados para prolongar a vida útil de um filme. No nosso caso, o pião possui uma referência estética a partir da direção de Nolan, que estiliza em ângulos verticais/diagonais uma cena que, nos dias atuais, chamamos de "estética de Instagram". Explicando prontamente, nada mais é do que uma escolha para que o filme ganhe, novamente, vida útil entre o público — ou, melhor dizendo, imagens esteticamente bonitas que geram o compartilhamento massivo. No entanto, não é somente isso que a nossa referência busca fazer.

Em Inception, a ideia do filme é nos transportar pelo tempo e por dimensões. Para isso ficar claro, o que são dimensões? Dimensões são realidades relativas que necessitam de uma referência paralela para existir, como, por exemplo, "a dimensão dos nossos" no nosso exemplo. Ou seja, tudo o que o filme de Nolan propõe é uma reflexão sobre a realidade em relação ao tempo.

Mas por que ao tempo? Porque a estética da vida real é de que ela é uma linha reta: não há como voltar ao passado, sequer passar ao futuro. O pião, nesse meio, possui o papel de ditar o tempo conforme gira. Ou seja, a estética narrativa do pião é uma referência à dinâmica de escrita, à relatividade e, principalmente, a colecionar referências.




O Mistério de Twin Peaks

Mas voltando a poucas linhas acima: o que resta após as corujas?

Twin Peaks é um exemplo perfeito de como utilizar referências, pois elas são postas como parte da narrativa, mas, ao mesmo tempo, não fazem parte alguma. As corujas provêm de um jogo de palavras — repare como tudo sobre simbolismos recai sobre jogos —, e, nesse jogo, ele nos toma o horror.

As corujas não são personagens principais, mas, no momento no qual David Lynch exige essa referência, ela aparece na questão relativa: a relativização da construção do ambiente até o ápice do final da temporada. O que muitos chamam de jumpscare, eu considero como uma brincadeira. Não me pareceu ser para assustar, mas sim para, de fato, ser um simbolismo cru.





A Simplicidade do Detalhe em Godard

Com esses dois exemplos, caímos em um menos complexo.

Em Breathless, de Jean-Luc Godard, o personagem de Jean-Paul Belmondo possui um certo tique: o dedo sob os lábios. Esse é um exemplo de simbolismo um pouco menos crucial à narrativa, sendo mais um jogo para que o personagem ganhe uma característica perante a narrativa. Ou seja, a narrativa não favorece algo marcante, e o orçamento, algo extraordinário; então, nos detalhes, Godard e Belmondo construíram uma personalidade simples: um homem inconsequente com uma mania estranha.

Por mais raso que possa parecer, isso prolongou a estética do filme até os dias de hoje, junto com a lírica de Godard e as expressões de Anna Karina.

A Previsão do Acaso

Enfim, o cinema é uma conjuntura de simbolismos baratos — e isso no melhor sentido —, sendo uma forma banal de ganhar reconhecimento através de algo que, em tese, é cômico.

Minha proposta é: reparem ao máximo nos detalhes, sejam eles expressões, detalhes cenográficos ou falas. Muito se fala que no cinema nada é por acaso, mas, de certa maneira, nada também é programado, mas sim previsto. E essa previsão há de ter erros, acertos e, principalmente, mudanças! É nisso que moram as melhores memórias e experiências quando falamos de filmes, o que de fato se mantém em nossas boas (ou más) memórias.




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